sábado, 12 de outubro de 2013






De Carlos Drummond de Andrade.Rio de Janeiro, 24 jul.1980. Carta manuscrita.
Comenta sobre o livro de Jordan Grandes gravações de música clássica em edição nacional. São Paulo: Atlantis, 1980. 80p.
Prezado Fred Jordan:
Surpresa agradável foi receber o seu pequeno mas valioso indicador de “Grandes Gravações”, que vem trazer uma régia “colher-de-chá” para os amadores da música erudita. Quanta informação útil e sistematizada, nessas páginas! Fico-lhe muito agradecido pelo oferecimento e mando-lhe o meu abraço cordial.
Carlos Drummond de Andrade 

De Millôr Fernandes.Rio de Janeiro, 30 jun. 1981. Carta datilografada sobre papel timbrado de Millôr Fernandes. Acompanha
foto de pintura de Millôr, O Jardim do dr. Koch, com bilhete colado no verso. Assina a foto Walter Ghelman. Texto na íntegra:
Meu caro Fred, mil perdões, mas, depois que desliguei o telefone, arrefeci de novo. Seu material, tão extraordinariamente bem acabado, me deu vergonha do meu mau acabamento e... fui esquecendo. Agora, diante da sua intimação telefônica, senti minha falha, juntei o que pude aqui,
e estou mandando. Oque pude, conforme você vê, não é muito. Se você puder tirar daí alguma coisa que sirva, muito bem. Senão o fato vale para nos ter aproximado e espero que possamos nos encontrar na próxima vez que fôr a São Paulo.

Tudo que lhe mando é coisa ocasional, que sobrou aqui: umas provas, umas transparências, uma foto. Só.
De qualquer forma, continuo à sua disposição para o que der e vier. Administrar a glória é que continua difícil. 
Um grande abraço do
Millôr.



De Millôr Fernandes.Rio de Janeiro, 13 dez. 1983. Cartão pessoal manuscrito. Texto, na íntegra:
Meu caro Fred Jordan
Muito obrigado por me lembrar que o tempo passa de maneira tão bonita (não o tempo, a maneira como você mostra). Fico com vergonha de minhas pobres grafias.
Um enorme abraço do
P.S. QUANDO É QUE (VIRA)
Millôr.
EU VOU VER A GRANJA VIANNA? IMAGINO ISSO MUITO EUROPEU, como soi, cheio de flores, um paraíso impróssivel. Ou estou errado?
Millôr.
De Millôr Fernandes.Rio de Janeiro, 28 fev. 1984. Cartão pessoal manuscrito. Texto, na íntegra:
Meu caro Fred – 1000, 1000 perdões!
Estou em falta com você depois daquela nossa magnífica testulia litero-humano-visual. Vou ver se te mando os livros logo – se os milicos me derem tempo.
Um abraço, Millôr.
De Millôr Fernandes.Rio de Janeiro, 31 dez. 1985. Cartão pessoal manuscrito.
Agradece o Calendário Niccolini 1986, 
Cor 2: Complementares, desenvolvido em 1985. Texto, na íntegra:
Meu caro Fred,
Muito obrigada pelo belíssimo calendário. É o que faltava a Dürer – uma melhor tecnologia de reprodução, e um colaborador do teu nível. Espero vê-lo em 86.
Happy tudo.
Seu amigo Millôr.
De Millôr Fernandes.Rio de Janeiro, 26 dez. 1988. Cartão pessoal manuscrito. Com ilustração de Millôr. Agradece o Calendário Niccolini 1988, Cor 4: Amarelos e laranjas, desenvolvido em 1987. Texto, na íntegra:
Fred,
Recebi, como em todos os últimos anos, teu magnífico trabalho. Cada vez mais bonito e cada vez mais perfeicionista. Mas é preciso que alguém diga: você é um louco.
Com amizade e a admiração do Millôr.

De Millôr Fernandes.
Rio de Janeiro, 16 dez. 1999. Cartão pessoal manuscrito. Com ilustração de Millôr.
Comenta sobre o fim da produção dos Calendários Niccolini. De fato, o último calendário impresso pela gráfica foi em 1998 para 1999, intitulado Noite estrelada.
Texto, na íntegra:
Fred,
Como não vai ter mais Fred-calendário? Só se acabou o tempo – o que não é improvável. Já acabaram com a genealogia cronológica. Não estão querendo fazer um dinossauro mais novo do que nós dois?
O que aconteceu na nossa relação foi também um fato tecnológico. Minha agenda eletrônica apagou – isto é apagou todos os meus amigos – é assim que se morre, hoje em dia. Tudo brincadeira, meu caro amigo. Você ainda está em Cotia? Quem sabe um dia eu tomo coragem e vou a São Paulo? Mas, enquanto isso, os calendários, não deixe de mandar. O último está no melhor lugar do estúdio, a cozinha, e me promete dias até o início do próximo ano.
Enorme abraço, velho amigo seu
Millôr. 


De Carl Sagan.
[Ithaca, NY], 26 set. 1995. Bilhete datilografado. Inglês.
Agradece o envio de Calendários Niccolini. Faz referência a três deles, especialmente o Quarteto, que ganhou lugar de destaque no escritório de Sagan. 
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O geógrafo Aziz Ab'Sáber, com quem Fred Jordan manteve laços profundos de amizade, acompanhou de perto o desenvolvimento profissional do artista: "Ele dividia seu tempo entre a leitura de obras de grandes intelectuais e filósofos alemães, e projetos gráficos. Procurava assim um caminho para alcançar independência cultural e garantir a sua sobrevivência futura".
Fred Jordan nasceu em Berlim no ano de 1927. Veio com os pais para o Brasil em 1936, com nove anos de idade. Desde 1950 atuou como designer gráfico de empresas e a partir de 1980 tornou-se um profissional autônomo.
Durante toda a década de 60 foi diretor de arte e, nos anos 70, diretor técnico da Indústria Gráfica L. Niccolini. Projetou e produziu em 1958 a exposição Os primeiros 30 mil anos para a Menninger Foundation, Kansas. Deuworkshops no Cenafor, em São Paulo; na School of Design, Londres e na UCLA, Los Angeles. Fez, entre outras, as seguintes exposições individuais: Masp, 1978; Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, 1984; Staatliches Museum für Angewandte Kunst, Munique, 1986. Possui, entre outros, trabalhos nas coleções do Museum of Modern Art, Nova Yorque e Die Neue Sammlung, Munique. Preparou números especiais dedicados ao design publicitário e gráfico no Brasil para as revistas Idea, Tokio, 1959, e Novum Gebrauchsgraphik, Munique, 1982. Tem trabalhos publicados em GraphisNovumModern Publicity, Idea e História geral da arte no Brasil (coordenado por Walter Zanini), entre outros. Criou o layout da série, hoje interrompida, SBPC Documenta, e o logotipo da Abigraf (Associação Brasileira de Indústrias Gráficas).
A alegria de conviver e aprender com Fred Jordan não se encerra com a sua morte. O seu legado permanece vivo entre nós e nas páginas de nossa revista.
Dario Luis Borelli é editor assistente de ESTUDOS AVANÇADOS, mestre em Jornalismo e Editoração pela Escola de Comunicações e Artes da USP e professor de Produção Editorial da Universidade Anhembi Morumbi.

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