quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

As infrações de Mônica

Minha amiga Mônica esta com um problema. Amante da natureza, plantou há uns 20 anos, um pequeno bosque no seu jardim. Com o propósito de propiciar mais luz para novas mudas e assim por sua vez atrair novas variedades de pássaros, decidiu podar duas velhas grandes arvores. Ligou então para um órgão de serviço publico, solicitando ajuda para retirar galhos cortados que amontoou rente à sua cerca. Foi informada que o corte ou poda de qualquer arvore, mesmo dentro do limite do seu jardim, estava proibida e só poderia ser efetuada mediante uma autorização especial.
Meio chateada, pegou seu carro e dirigiu-se a uma secretaria que cuida desse assunto. No meio do caminho quase atropelou o pé de uma dessas moças que arriscam a vida vendendo propaganda no meio da rua. Alguns metros à frente foi multada por dirigir sem cinto de segurança, mesmo trafegando a 5km/h, graças as moças e a um caminhão sem placa, soltando fumaça preta que trafegava à esquerda, o que não foi notado. Ainda neste mesmo trajeto, assustou-se ao ver ao seu lado direito um dos últimos bosques remanescentes em nossa região, sendo completamente devastado por moto-serras e tratores. Ao entrar numa rua residencial à esquerda, notou mais um novo empreendimento comercial la se instalando e toda sua área útil concretada. Ah colocaram um vaso com uma palmeira e um spot para ilumina-la à noite, na entrada. Agora, subindo numa ladeira, onde outrora existia uma bonita vista para o cume de uma araucária, entristeceu-se com mais um gigantesco outdoor de um “eco empreendimento” que tudo tapava.
Estacionando perto da secretaria, teve que deixar um dinheiro para dois sujeitos “cujo pai estava com câncer, a mãe acabara de morrer e mais 8 irmão passando fome”. Finalmente entrando, encontrou uma bela fila com uma mau humorada funcionaria publica para atender a todos. Outros 8 funcionarios designados para a mesma função, estavam ocupados discutindo futebol. Ao ser finalmente atendida, foi informada que faltava aquele único documento que lhe disseram antes que não era nescessario e que faltava ser paga uma taxa de não sei o que de não sei quando e que também de nada adiantaria busca-lo, já que o sistema havia caído.
Meio desanimada (hoje não era o seu dia...) notou ao retornar ao carro, que um pneu estava furado. Deve ter acontecido naquela lombada nova na frente daquele buraco velho, sobre o qual já havia desistido de reclamar para que fosse tampado. Seguiu então andando pela rua, já que calçada ali não havia, até o borracheiro mais próximo. Para completar seu dia, foi abordada por um “de menor” que sob ameaça de arma de fogo, exigiu-lhe a bolsa. Mas por um desses insights, coincidindo com um vacilo do rapaz, Mônica conseguiu tomar sua arma e no momento em que ele tentou recupera-la, esta disparou contra o pé do agressor.
Lá estava o “de menor” 1.90m, no chão berrando, segurando seu pé ensangüentado. Foi aí então, é claro, que apareceu a policia. 8 viaturas. Sirenes. Aliviada, Mônica imaginou que o bandido seria preso e ela pudesse finalmente ir pra casa,depois de comprimentada pela coragem e apesar de tudo, agradecida por estar bem. Há, há, há. Ledo engano. O “de menor” portanto, a vitima, foi encaminhado à uma clinica ( onde provavelmente lhe esperavam dois solícitos advogados de defesa). Já a Mônica, autuada em flagrante delito e por indignar-se e reclamar do procedimento, encaminhada a delegacia mais próxima, com o agravante de desacato à autoridade.
Definitivamente, desta vez, Mônica havia ultrapassado os limites. Se tivesse sido morta, seria mais uma oportunidade para lamentarmos a violência urbana, fazermos camisetas com seu nome e abraçarmos a praça na frente da igreja, ou qualquer coisa assim. Mas não! Mônica é um mau exemplo. Em vez de ficar calada, passiva ou indiferente, como praticamente todo mundo, cometeu o pior dos pecados: REAGIU. Que falta de espírito publico... Ao ser colocada na viatura, curiosos, entre os quais os burocratas da secretaria, comentavam: É aquela mulher que não pagou aquela taxa, que nos fitou com olhar esquisito só porque discutíamos futebol. Aquela chata. É aquela que derrubou as arvores e agora atirou numa criança... mulher insensível. Aquela radical...ainda bem que prenderam...

Andre Jordan   (artigo de sua autoria)